Ambiente internacional pode trazer alta de até 20% para o ouro em 2019

5 meses atrás
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Além das incertezas sobre a aprovação das reformas no cenário doméstico, as discussões entre Estados Unidos e China, Rússia e Coréia do Norte devem influenciar na valorização do metal

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ISABELA BOLZANI • SÃO PAULO

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A rentabilidade do ouro deve subir entre 15% a 20% em 2019. Com as incertezas em torno das reformas no cenário doméstico e as tensões geopolíticas internacionais, os investidores devem olhar para o metal como investimento seguro e de liquidez.

O ouro já tinha registrado o maior ganho de 2018 ao mostrar um aumento de 16,93% em relação à última cotação de 2017 (de R$ 135,30 a grama para um total de R$ 158,20 a grama).

De acordo com o gerente de operações de ouro do Banco Paulista, Edson Magalhães, o avanço observado no ano passado veio principalmente pela valorização do dólar diante das tensões domésticas e internacionais.

“No comércio internacional, a onça fechou o ano em pequena queda, mas o câmbio acabou compensando e sustentou o preço do ouro, seja pelas incertezas domésticas ou pelas tensões geopolíticas no exterior. Assim, as expectativas de maior rentabilidade do ouro continuam neste ano”, explicou.

“A projeção é de um crescimento entre 15% e 20%, nada muito espetacular, porque o câmbio deve se comportar um pouco mais, mas ainda com uma alta tendo o horizonte internacional como combustível”, acrescenta Magalhães, do Banco Paulista.

Nesse contexto, apesar da euforia dos investidores vistas neste ano com o governo de Jair Bolsonaro, os especialistas reiteram a necessidade de aprovação das reformas por aqui e destacam as diversas discussões no governo dos EUA – com Rússia, China e Coréia do Norte –, além das dúvidas sobre os juros e a economia estadunidense.

Segundo o gerente de câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, a onça já está “reagindo” frente o cenário internacional e, mesmo com a queda vista no dólar no ano até agora, “qualquer crise interna que faça o dólar subir”, terá efeito imediato no ouro.

Na cotação de ontem, por exemplo, o dólar Ptax (média calculada pelo Banco Central) registrou R$ 3,7260, um recuo de 4,7% em relação ao observado há exatamente um mês (14/12, quando era R$ 3,9090). Na mesma comparação, o preço do ouro encerrou cotado a R$ 151,61 por grama ontem, ante R$ 153,65 há um mês.

“Ainda existem muitas dúvidas sobre a aprovação da reforma da Previdência. Dependendo da capacidade do novo governo em passar uma proposta mais robusta ou não, poderemos ver o dólar subindo e influenciando o preço do ouro”, comentou Cavalcante.

“Pelo menos até que haja essa reforma, não trabalhamos com o dólar abaixo do patamar de R$ 3,65, por exemplo. O mercado tem se alimentado de expectativas por enquanto, mas até que a votação esteja concretizada, o dólar se manterá em altos patamares. Inclusive, se a reforma estiver fora dos moldes mais robustos esperados”, completa Magalhães.

Em relação à demanda, porém, os especialistas comentam que um “forte trabalho em conjunto” ainda é necessário para que o setor seja impulsionado e conhecido entre os investidores no País.

“Não vimos a demanda crescer em 2018. Não existe, no brasileiro, essa cultura de investimento em ouro e todas as empresas do setor têm feito um trabalho muito tímido de comunicação. Nos inserimos no contexto, mas ainda falta estratégia”, afirma Magalhães.

Já para Cavalcante, a maior busca pelo metal não só foi sentida como tende a crescer de 20% a 30% neste ano. “O investidor deu uma diluída no patrimônio dele nos últimos meses e, com taxa de juros mais baixas e a busca por segurança, o ouro acaba sendo o caminho”, opina o gerente.

Ambos especialistas destacam o ouro como um dos principais investimentos a fazerem parte do portfólio dos investidores. “O câmbio agora está num patamar que consideramos ser de suporte. É um momento bom para quem quer investir em ouro”, diz o executivo do Banco Paulista.

“A indicação é de que o investidor aloque, em média, de 20% a 35% do patrimônio em ouro. É um porto seguro frente as incertezas que vamos enfrentar em 2019”, conclui Cavalcante, da Ourominas.

Outros riscos Dentre os riscos, além daqueles inerentes relacionados aos ativos de renda variável, Magalhães também destaca o risco de custódia. “Dependendo de como o investidor vai custodiar o ouro, ele pode pagar uma taxa ou se submeter a deixar em algum lugar que considera de segurança. Mas é preciso cautela, sempre”, conclui.

 

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