Ouro ou Petróleo: Qual a melhor proteção contra a inflação?

6 meses atrás
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À medida que o primeiro mês de negociações do ano se aproxima do fim, é interessante observar como a reação do ouro em relação à inflação tem sido comparada com a do petróleo.

No que está se transformando no período mais desafiador da economia dos EUA desde a Grande Inflação de 1965 a 1982, o Federal Reserve está planejando de três a quatro (ou talvez mais, escolha o número que você preferir) aumentos dos juros este ano, com 25 pontos base por rodada (ou, se acreditarmos em Raphael Bostic, do Fed de Atlanta, de até mesmo 50 pb).

Com o Fed relativamente agressivo de hoje – a bem da verdade, não estamos nem perto do período de Paul Volcker nos anos 80, quando as taxas estavam em uma alta anestesiante de 20% – é compreensível que os especuladores queiram vender a baixa do ouro, que na teoria iria sofrer com taxas crescentes.

Mas também não vamos esquecer que a principal razão para a mudança da era da “Grande Facilidade” do Fed (juros virtualmente zero, com fonte de dinheiro infinita) é a alta da inflação a seu maior patamar em 40 anos (observe que estamos partindo do mesmo período de pressão de preços sufocante que Volcker encerrou).

Realmente, se é a inflação que estamos combatendo, o ouro não deveria estar à frente desta luta, pelo menos da perspectiva das commodities, dada a posição do metal precioso como proteção contra a inflação?

“Não!”, gritam os ursos do mercado, que parecem obstinados em forçar o ouro para os níveis inferiores da casa dos US$ 1.700, e US$ 1.600 se possível, citando os rendimentos do Tesouro dos EUA e o dólar que pode continuar em forte alta no meio tempo, enquanto o Fed tenta subjugar o monstro da inflação.

Embora esse argumento se sustente em parte, a resistência do ouro enquanto reserva de valor ao longo do tempo não pode ser subestimada.

Qualquer um que já tenha tentado comprar barras de ouro reais pode confirmar o prêmio considerável associado a elas, e como elas estão distantes das negociações de futuros na Comex de Nova York. Se isso não for respeito pelo valor do metal precioso, eu não sei o que é.

Diversas contra teorias proliferam, também por parte dos touros do ouro, sobre por que ele – e não o Fed – podem ganhar esse jogo (algumas delas em resposta a meu último artigo):

O Fed pode elevar as taxas somente duas vezes antes de fazer uma pausa para observar seu efeito (de forma interessante, o chefe do Fed de Mineápolis, Neal Kashkari, sugeriu um intervalo no ciclo de altas durante a primavera do hemisfério norte a fim de se determinar o progresso feito pelo banco central). O ouro provavelmente estará novamente em alta até maio, enquanto o Fed tentou se agarrar a seu outro mandato, de expandir a economia por meio de empregos, ainda que aumente os juros e tente reduzir seu balanço massivo. Não será uma guinada suave e os touros do ouro buscarão ganhar com os passos em falso do Fed e qualquer consequência econômica.
O Fed acabará lançando os EUA em uma recessão ser for muito agressivo no aperto, exatamente como foi acomodatício demais com a chamada flexibilização quantitativa (FQ). O tombo do dólar em uma recessão inflacionaria, por sua vez, o ouro.
A relação entre os rendimentos do Tesouro e o ouro é uma invenção de Wall Street para controlar os preços dos futuros do metal. Elas não apresentam uma boa correlação com os futuros na Comex, já que não é possível comprar ouro de verdade sem um prêmio pesado (o meu argumento mais acima). Embora a mídia siga insistindo que o ouro é um “ativo que não gera rendimentos”, o verdadeiro investidor do ouro não se importa com rendimentos de mesmo 2%, quando a inflação cresce a escaldantes 5-7%.
Obviamente, a história entre o ouro e a inflação é completamente diferente da história entre o petróleo e a inflação.

O ouro apresenta queda de 2% no ano, enquanto o petróleo tem alta de 15%. A escalada implacável do petróleo, na verdade, não é motivada pela inflação. Ela se deve à cena político entre Rússia/Ucrânia e à falsa classificação por parte da OPEP+ de um mercado subalimentado como “equilibrado”, garantindo que ele nunca alcance o equilíbrio, porque seu verdadeiro prumo pode significar um petróleo a US$ 60, não a US$ 90.

Mas a proteção contra a inflação funciona como um apoio para os touros do mercado porque, em essência, todas as commodities, por apresentarem uma correlação inversa ao dólar, são uma proteção contra a inflação. Mas a verdade é que o petróleo é, possivelmente, o pior hedge para a inflação. Comprar ouro, por si, não contribui para a inflação. Mas com o petróleo, a história é diferente.

Sendo a commodity que literalmente alimenta e move o planeta, o petróleo é indispensável para a mobilidade do mundo. Ele é a commodity subjacente a quase toda atividade comercial. Preços de petróleo mais altos levam a preços mais altos de alimentos, gasolina, roupas e praticamente todos os itens essenciais.

É desonesto dizer que comprar petróleo é uma proteção contra a inflação quando sua compra, na verdade, ajuda a fazer o preço desse petróleo subir. Chame apenas de oportunidade de lucro num mercado otimista. Tudo bem. Mas não use a desculpa de que é uma proteção contra a inflação.

FONTE: INVESTING

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