Ouro retoma rali e tem maior alta diária em 11 anos.

1 semana atrás
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Depois de baixa, preços dos contratos do ouro com vencimento para abril fecharam a sessão regular desta terça-feira com ganhos de 5,61%.

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O ouro fechou em alta acima de 5% pela segunda sessão consecutiva e retomou o nível anterior ao dia 11 de março, quando sucessivas sessões de “sell-off” nos mercados financeiros globais fez investidores e gestores realizarem lucros com o metal para cobrir perdas em ações e outros ativos de risco.

Os preços dos contratos do ouro com vencimento para abril fecharam a sessão regular desta terça-feira com ganhos de 5,61%, a US$ 1.660,80 a onça-troy, a maior alta diária em 11 anos. Em dólares, o metal valorizou mais US$ 93, depois de ter subido aproximadamente US$ 80 ontem, anotando um aumento de mais de 10% nos dois primeiros dias desta semana.

O metal conseguiu manter os fortes ganhos do dia mesmo com o dólar reduzindo as perdas. O índice dólar DXY, que chegou a cair perto de 1% mais cedo, já operava em queda mais moderada de 0,38% nesta tarde, a 102,095 pontos.

O impulso ao ouro foi dado em grande parte pelo último anúncio do Federal Reserve (Fed), que anunciou ontem que seu atual programa de alívio quantitativo (QE) terá compras ilimitadas de títulos do Tesouro americano e títulos hipotecários para injetar liquidez nos mercados em meio à crise engatilhada pela pandemia de coronavírus. O banco central dos EUA também já lançou, entre outras medidas, intervenção em títulos corporativos, melhorias no mecanismo de financiamento de papéis comerciais (“comercial papers”) e sinalizou um programa de empréstimos para pequenas empresas.

As medidas devolveram liquidez aos mercados financeiros e ajudaram a conter o dólar a alta demanda por dólar. Neste cenário, analistas do Goldman Sachs apontaram em relatório que o ambiente é o ideal para que os investidores continuem comprando ouro, um tradicional ativo de segurança.

“Há muito tempo argumentamos que o ouro é o último recurso, atuando como um hedge contra a degradação da moeda quando os formuladores de políticas agem para acomodar choques como o que está sendo experimentado agora”, disseram analistas do Goldman Sachs, liderados por Jeffrey Currie. Eles projetam que o preço do metal pode chegar a US$ 1.800 por onça-troy em 12 meses.

Os analistas do banco de investimentos americano tomam como base a grande crise financeira de 2008 e citam que, na época, o lançamento do programa de QE do Fed foi um ponto de virada, assim como pode ser agora.

“Estamos começando vendo um padrão semelhante surgir à medida que os preços do ouro se estabilizaram na semana passada e se recuperaram quando o Fed introduziu [ontem] novas medidas de injeção de liquidez”, escreveram eles.

Para os analistas do Goldman, as medidas do Fed terão a capacidade de diminuir as tensões sobre liquidez e crédito e o foco das preocupações se voltará a temas como até onde o balanço do Fed se expandirá, o aumento dos déficits fiscais em países desenvolvidos diante dos grandes pacotes de socorro à economia e novamente à sustentabilidade da união monetária europeia.

“Acreditamos que isso provavelmente levará a preocupações de degradação semelhantes ao período pós-[crise financeira global de 2008]”, apontaram os economistas do Goldman Sachs.

FONTE: Valor Investe

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